domingo, 22 de março de 2009

Watchmen


- HQ:

Watchmen é uma série de história em quadrinhos escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, publicada originalmente em doze edições mensais pela DC Comics [EUA] entre 1986 e 1987. A série foi reimpressa mais tarde em brochura.

No Brasil, esta obra foi publicada três vezes pela Editora Abril, inicialmente em 6 edições, de novembro de 1988 a abril de 1989, também publicada em edição encadernada, e depois como uma série em 12 edições, de fevereiro a agosto de 1999.
A editora Via Lettera republicou Watchmen em quatro edições, de 2004 a 2006.
Atualmente, março de 2009, a editora Panini Comics lançou uma edição definitiva de Watchmen. A nova edição, da Panini, é a primeira a trazer a obra completa e um recheio de extras como amostras dos roteiros originais, esboços e outros detalhes do trabalho de Moore e Gibbons. A Panini divulgou que também lançará uma versão mais barata de Watchmen, direcionada às bancas. Com capa cartonada e o mesmo papel das séries mensais, a versão será dividida em dois volumes.

Watchmen é considerada um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA: introduziu abordagens e linguagens antes ligadas apenas aos quadrinhos ditos alternativos, além de lidar com temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais publicadas. O sucesso crítico e de público que a série teve ajudou a popularizar o formato conhecido como graphic novel (ou "romance visual"), até então pouco explorado pelo mercado.

A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, um país no qual aventureiros fantasiados seriam realidade. O país estaria vivendo um momendo delicado no contexto da Guerra Fria e em vias de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis do passado e do presente e os eventos que circundam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata os super-heróis como indivíduos verosímil, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra neuroses e defeitos, e procurando evitar os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero.

- Filme:

Watchmen (Watchmen, 2009)


> Ficha Técnica:
Título Original:
Watchmen
Gênero: Ação
Duração: 163 min
Origem: EUA
Estréia - EUA-Brasil: 06 de Março de 2009
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Zack Snyder
Roteiro: David Hayter, Alex Tse
Produção: Lawrence Gordon, Deborah Snyder, Lloyd Levin, Herb Gains

> Elenco:
Carla Gugino (Sally Jupiter / Espectral)
Patrick Wilson (Dan Dreiberg / Coruja)
Malin Akerman (Laurie Juspeczyk / Espectral)
Billy Crudup (Jon Osterman / Dr. Manhattan)
Jeffrey Dean Morgan (Edward Blake / O Comediante)
Jackie Earle Haley (Walter Kovacs / Rorschach)
Matthew Goode (Adrian Veidt / Ozymandias)
Matt Frewer (Moloch)
Danny Woodburn (Big Figure)
Stephen McHattie (Hollis Mason)
Niall Matter (Mothman)
Brett Stimely (John F. Kennedy)
Manoj Sood (O Cientista)

> Sinopse:
"Watchmen" é situado em uma América alternativa de 1985, na qual super-heróis fantasiados são parte da estrutura comum da sociedade, e o "Relógio do Juízo Final" - que marca a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética - é permanentemente acertado em cinco minutos para a meia-noite. Quando um de seus antigos colegas é assassinado, o abatido, mas não menos determinado, vigilante mascarado Rorschach decide investigar um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente. À medida que ele se re-conecta com sua antiga legião de combate ao crime - um grupo desorganizado de super-heróis aposentados, dentre os quais somente um possui verdadeiros poderes - Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração que está ligada ao passado deles e a catastróficas conseqüências para o futuro. A missão deles é vigiar a humanidade, mas quem vigia os vigilantes? O filme, dirigido por Zack Snyder ("300"), é baseado na obra homônima de Alan Moore e Dave Gibbons.

> Trailer (com legenda em português):
video

> Crítica:
Quem já teve o prazer de ler a graphic novel “Watchmen” sabe o desafio que o diretor Zack Snyder tinha em mãos ao realizar a adaptação para as telas. E ele conseguiu! Snyder fez um trabalho impecável, mostrando uma competência absurda.

O roteiro da dupla David Hayter e Alex Tse condensa as 12 edições originais de "Watchmen", conservando o tronco principal da narrativa, que é a possível conspiração por trás da morte do Comediante. Conseguir fazer isso sem desintegrar o peso da história foi um feito incrível.

Além de uma fantástica fotografia, ainda temos efeitos visuais e especiais bastante caprichados. O elenco também está ótimo, os atores incorporaram muito bem os seus personagens. Uma das partes que eu mais gostei no filme foi à fantástica introdução, está um espetáculo.

A trilha sonora é um espetáculo a parte. A mistura de sons populares e música erudita diverte e envolve. As escolhas foram acertadas, mantendo o público sintonizado ao trajeto dos personagens e aplicando o humor nos momentos necessários. O aspecto dos anos 80 é precisamente retratado através das canções, algo que valoriza ainda mais a obra.

“Watchmen” é um filme maduro e inteligente! Perfeita adaptação de uma história complexa ao recriar um universo visualmente rico, sem se importar com a censura e souberam lidar com diversos outros aspectos. Palmas para toda a equipe, mas o meu reconhecimento em especial vai para Zach Snyder.

domingo, 15 de março de 2009

Kanon Wakeshima - Shinshoku Dolce [review]

Shinshoku Dolce é o primeiro álbum da carreira de Kanon Wakeshima. Lançado em 18 de fevereiro de 2009, contendo duas edições, regular (CD) e limitada (CD + DVD). O álbum que adquiri foi à edição limitada (CD + DVD).

O visual do álbum é muito fofo e a cor vermelha está em destaque, acredito que por ser a cor preferida de Kanon. A capa da edição regular não é diferente da edição limitada, o que acontece é que há uma sobrecapa. A foto da sobrecapa é a Kanon “saindo” do quadro, apoiando suas mãos na moldura. Achei essa foto muito fofa! Ao retirar a sobrecapa, vemos finalmente à verdadeira capa (que é a mesma da edição regular). Kanon esta sentada segurando um carrossel em miniatura e vemos várias tirar estendidas amaradas no seu braço - ficou bem CLAMP. Amei essa capa!!

No interior, vemos primeiro o CD e ao virar, vemos nas “costas” do CD o DVD. A arte visual do CD parece um telhado, vendo do alto, de um carrossel, intercalando tiras vermelhas e brancas, ao redor uma moldura no estilo bem clássico, lembra bastante os móveis franceses - estilo Luis XVI. Já a arte visual do DVD é um desenho de uma torta, parece ser uma torta de cereja.

Quando viramos essa divisória, onde se encontra o CD e o DVD, tem um belo desenho feito pela Kanon de um cavalo, do carrossel, todo enfeitado. Há, os desenhos que estão nesse álbum e no site oficial são feitos pela própria Kanon. Ela desenha bem né?!

O encarte é cute e bem recheado de fotos fofas, e claro as letras de todas as músicas. Como nos dois singles, no álbum também veio com um adesivo do anime Vampire Knight. A protagonista do anime, esta de cosplay de Kanon, ficou muito legal!

No verso do CD tem os nomes das músicas e também contém os títulos dos PVs que estão no DVD. A foto do verso, é uma folha de papel de música, nela está escrita notas musicais e um desenho de um gatinho.

Infelizmente não veio nenhum pôster ou qualquer outro brinde T_T ((sem regalias)).

Agora as músicas \o/

- Sweet Ticket: introdução instrumental! Gostei bastante de Sweet Ticket, pois adorei o som clássico do violoncelo. Lembrou-me muito Moi Dix Mois e Malice Mizer, uma mistura dos dois.

- Shinku no Fate Rhythm: nossa como a introdução dessa música lembra a atmosfera do Malice Mizer. Nela a voz da Kanon esta bem trabalhada e ao som do violoncelo fica perfeito. Adorei!!

- Kagami: deu-me a impressão de estar em um circo maligno, daí o palhaço *medo* chega e me convida para entrar, com aquele sorriso maldoso. Amei o som do violoncelo nessa música.

- Still Doll: hei, o que você está fazendo ai?! Still Doll começa com o refrão, daí a música segue igual como no single.

- Maboroshi: no começo o instrumental lembra as músicas do game MegaMan. A voz da Kanon nessa música está bem parecida, para não dizer igual, com a voz da cantora francesa Emilie Simon.

- Ennui Kibun!: não gostei dessa música! Nela fica o som de umas bolhinhas estourando na música toda, tem uma hora que cansa, e o som do violoncelo só surge na metade da música e pronto.

- Suna no Oshiro: é a mesma música do single ‘Suna no Oshiro’ (2ª single). Adoro essa música, principalmente o instrumental.

- Monochrome Frame: linda! Monochrome Frame é relaxante e adorei a voz da Kanon nela. Mas fiquei imaginando como iria também ficar bonita com a voz do Seth (vocal do Moi Dix Mois) ou Juka (ex-vocal do Moi Dix Mois).

- L'espoir ~mahou no akai ito~: Gostei! Ficaria legal como abertura de anime.

- Kuroi Torikago: PERFEITA! Mesma música do 1ª primeiro single ‘still doll’, ouvir faixa 2.

- Skip Turn Step: mesma música do 2ª single ‘Suna no Oshiro’, ouvir faixa 2.

- Shiroi Kokoro: outra música lenta, gostei! Gosto da voz da Kanon nesse estilo de música.

- Sweet Dreams: versão caixinha de música da faixa 1. Essas versões caixinha de música estão presentes em todos os lançamentos da Kanon e não deixa de ser uma marca.

Agora o DVD! No DVD só vem dois PVs: Still Doll e Suna no Oshiro. Esperava mais vídeos, como por exemplo, uma de suas apresentações e/ou algum PV novo. Fora isso, é tão bom ver os PVs em alta qualidade e em uma tela maior do que a do computador.

No geral o álbum esta ótimo, Kanon tocou e cantou muito bem. Quem acompanha a carreira de Kanon Wakeshima sabe que seu produtor é o Mana [Moi Dix Mois], então o ‘toque Mana’ é bem notável em todas as músicas do álbum.
As músicas que eu mais gostei foram: Sweet Ticket, Shinku no Fate Rhythm, Kagami, Still Doll, Suna no Oshiro, Monochrome Frame, L'espoir ~mahou no akai ito~, Kuroi Torikago e Shiroi Kokoro. ((notem que foi quase todas 8D))
Se lançasse a versão instrumental de Shinshoku Dolce seria muito show, pois os instrumentais desse álbum estão lindos!

domingo, 8 de março de 2009

Onmyouza - Soukoku / Doukoku [review]

Soukoku / Doukoku é o 13ª single da banda, lançado em 21/01/2009. As músicas do single são temas do jogo “Inugami-ke no Ichizoku” da Nintendo DS.

Primeiro vou comentar sobre o visual do single, depois sobre cada música.

A foto da capa está simples, mas o termo simples não significa necessariamente que esse algo esta ‘comum’ ou ‘pobre’. Pelo contrário, algo simples pode ser belo e elaborado. Pois, acredito que a simplicidade e a beleza andam de mãos dadas. Por esse conceito, achei essa capa a mais bonita de todos os singles e álbuns. Teve também mais um motivo para eu ter gostando tanto dessa capa, que é o visual dark japonês. Como amo preto, foi um ponto a mais para considerar essa capa a mais bela.

Infelizmente o brinde de quem fez a pre-order não foi um pôster *por quê?!* Queria muito um pôster dessa capa, poderia até ser um flyer. Enfim, o brinde desse single foi um enfeite para pendurar no celular. É bonitinho, mas preferiria um pôster 8D

No interior do encarte, tem as letras de Soukoku e Doukoku, já que as outras duas (3ª e 4ª faixa) são instrumentais das duas primeiras. Virando, tem uma foto linda da Kuroneko, com informações, como o nome dos integrantes e suas funções, logotipo das empresas e também informando o título e duração de cada música.

O visual do CD é tão sofisticado. O desenho me lembrou muito sumi-e (estilo de pintura japonesa). Ao tirar o CD da caixa, temos a mesma foto de trás do encarte, só que mostrando mais o corpo da Kuroneko *que kimono preto lindo *-* * e no fundo os rostos dos meninos tomados pela escuridão, deixando assim a Kuroneko em destaque.

Atrás do single (ao virar a caixa), tem uma foto do mesmo estilo da foto ao retirar o CD, só que não contendo nenhuma informação, deixando assim a foto “livre”.

No geral o visual do single esta dark, gostei bastante.

Agora as músicas!
No total são 4 faixas, sendo que as duas últimas são instrumentais das duas primeiras, como já havia comentado antes.

Soukoku – empolgante! Dá até vontade de dançar. Ta bom, to meio que exagerando, mas essa música é muito empolgante. É uma delicia ouvi-la!
Na introdução da música, senti que estava sendo encaminhada para um sonho, daí quando começa o som das guitarras bem forte, o “pesadelo” começa. A voz da Kuroneko e do Matatabi estão em perfeita harmonia. Não imagino Soukoku sendo cantada unicamente por Kuroneko. A música ficou tão perfeita com a voz dos dois, que fica difícil imagina-la de outro modo.

Doukoku –
indescritível! Mas se fosse obrigada a definir Doukoku, só conseguiria defini-la como suave e triste. Quando Kuroneko começa a cantar, Meu Zeus, como sua voz é linda ((não me canso de dizer isso)). Adoro a voz da Kuroneko nas músicas mais lentas.

Soukoku (instrumental) e Doukoku (instrumental) – gosto bastante de música instrumental, pois elas nos dão mais informações e detalhes dos instrumentos e tons utilizados. Legal tê-las no single.
Não sei por que, mas ao ouvir Soukoku (instrumental) me lembrei do anime Rurouni Kenshin. E por incrível que pareça também me lembrei do anime Rurouni Kenshin em Doukoku (instrumental), mas desta vez veio à mente uma cena, Kenshin se despedindo de Kaoru, na saga de Kyoto.

No geral o single está ótimo, todas as músicas estão bem elaboradas. Só para vocês saberem, quando estava digitando essa review ouvi o single repetidas vezes e digo que não tem como se cansar das músicas. É muito gostoso ouvi-lo várias vezes, assim a cada vez que ouço noto algo á mais, algo “novo”, na música.

domingo, 1 de março de 2009

O Leitor

Livro:

O Leitor - Bernhard Schlink

“O Leitor” é um romance alemão do autor Bernhard Schlink, lançado em 1995. Traduzido para mais de 30 idiomas e chegou ao Brasil, pela Editora Nova Fronteira em 1998 e relançado pela Editora Record em 2008. O livro foi vencedor de inúmeros prêmios, entre os quais o Welt (Alemanha), o Grinzane Cavour (Itália) e o Laure Bataillon (França).

O escritor Bernhard Schlink, reconheceu, sem dar muitos detalhes, que havia uma grande dose de realidade na obra. "Cada livro se baseia em uma experiência pessoal. Este também. (...) ” explicou.

O romance acompanha o relacionamento de um adolescente alemão, Michael, que tem somente 15 anos, com Hanna, uma mulher 21 anos mais velha. Ambos vivem uma delicada e intensa relação amorosa, até que Hanna desaparece subitamente sem deixar pistas. Sete anos depois, Michael, agora estudante de direito, é convidado a tomar parte de um julgamento contra os criminosos do regime nazista. Ele descobre, para seu terror, que sua antiga amante é uma das acusadas pelos crimes. (...) Não me vou alongar muito com detalhes para não estragar as surpresas de quem vai ler ou mesmo de quem vai ver o filme, só aconselho que o leiam, pois O Leitor mostra-nos a importância das pequenas grandes coisas da vida.

O livro (romance) é dividido em três partes. A primeira parte é a relação amorosa entre Hanna e Michael; a segunda parte é o julgamento de Hanna e de outras mulheres que trabalhavam como guardas no campo de concentração, contratadas e obedecendo ordens da SS. Nesse julgamento Michael descobre o segredo que Hanna tanto escondia; e por fim a terceira parte, Michael relata como foi sua vida após o julgamento de Hanna, e ao avançar na leitura, vemos que Michael de uma certa forma fez as pazes com o seu passado.

A história começa despretensiosa e a narrativa é surpreendente pela simplicidade e naturalidade. A escrita de Schlink é limpa e despida de imagens e diálogos desnecessários. As reflexões, que são feitas em primeira pessoa, são muito inteligentes e interessantes.

A história me comoveu muito, principalmente a relação amorosa entre Hanna e o jovem Michael. É uma história que marca por toda a sua vida.


Filme:

O Leitor (The Reader, 2008)


> Ficha Técnica:
Título Original: The Reader
Gênero: Drama
Duração: 124 min
Origem: EUA
Estréia - EUA: 10 de Dezembro de 2008
Estréia - Brasil: 06 de Fevereiro de 2009
Estúdio: Imagem Filmes
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: David Hare
Produção: Donna Gigliotti, Anthony Minghella, Redmond Morris, Sydney Pollack

> Elenco:
Kate Winslet (Hanna Schmitz)
Ralph Fiennes (Michael Berg)
Jeanette Hain (Brigitte)
David Kross (Jovem Michael Berg)
Susanne Lothar (Carla Berg)
Alissa Wilms (Emily Berg)
Florian Bartholomäi (Thomas Berg)
Friederike Becht (Angela Berg)
Matthias Habich (Peter Berg)
Frieder Venus (Doctor)

> Sinopse:
Na Alemanha pós-II Guerra Mundial, o adolescente Michael Berg (David Kross) se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas. À medida que o passado de Hanna é revelado, Michael desvenda um grande segredo que irá ter impacto na vida de ambos.

> Trailer (com legenda em português):
video

> Critica:
Baseado no livro de Bernhard Schlink, o diretor Stephen Daldry cria o ambiente perfeito para Kate Winslet e David Kross brilharem nos papéis principais. A simplicidade do roteiro e o cuidado dos profissionais envolvidos torna a experiência de desvendar história e personagens absolutamente necessária e deliciosa.

A simplicidade da história é bastante fiel à obra original, é o que torna o longa-metragem saboroso e, ao mesmo tempo, difícil de resumir em palavras.

Encantei-me com a atuação de Kate Winslet que interpretou Hanna Schmitz brilhantemente. Kate sabe se transformar e expressar sentimentos obscuros através do olhar e dos pequenos gestos. Não é ousado dizer que seu trabalho, maduro e honesto, carrega a alma de “O Leitor”.

A descoberta do amor e do sexo, também brilhantemente retratada por David Kross, prende Michael a Hanna. Não é o sexo, entretanto, o que a prende a ele, mas o prazer de estar com ela, momentos simples, mas que significam muito e claro a leitura.

Michael passa a ler obras clássicas para a amante. “A Odisséia" e outros livros se tornam testemunhas do romance. A separação não demora para acontecer e os dois só irão se reencontrar anos mais tarde, quando Hanna é ré em um julgamento sobre os crimes cometidos durante a Segunda Guerra.
Não vou avançar mais na história, pois espero que cada espectador tenha o prazer de desvendar por si mesmo à trama.

A performance de Ralph Fiennes pode ser descrita por olhos mais desatentos como um tanto quanto esquemática e fria, comparando com o jovem Michael Berg (David Kross), mas os atores não estão vivendo o mesmo personagem. A mudança de intérprete após o julgamento de Hanna não é uma mera conveniência para o filme. Michael realmente se tornou outra pessoa após aqueles eventos, demorando muito a finalmente fazer as pazes com o seu passado.

A história aborda o nazismo e os crimes cometidos contra os judeus de uma maneira cuidadosa e inovadora. Na tela somos excluídos do debate que Michael faz consigo mesmo sobre as ações de Hanna, seu envolvimento emocional com ela e o destino da mulher que amou. A interpretação de Kross, entretanto, é capaz de nos dar a idéia de relance. Em cada olhar ou gesto capturado, a imaginação encontra algo em que se agarra para construir o diálogo que falta.

A vida de Michael e Hanna é desvendada sem exposições e enriquecida pela interpretação cuidadosa dos dois atores principais. A beleza do filme está em descobrir quem são esses personagens à medida que a história é contada, tentar descobrir qual será a reviravolta, e se haverá alguma, sem espiar as páginas seguintes. “O Leitor” é um filme que, acima de tudo, é uma obra de arte impecável que merece ser assistido.